20| Pesquisas in vitro permitem propagação de plantas saudáveis

Bioquímica das células foi estudada no CEBTEC com apoio da Fealq

1981. O potencial bioquímico das células vegetais já vinha sendo explorado. As inúmeras pesquisas na área apontavam os primeiros resultados positivos revertidos em benefícios às lavouras. Mas o incansável professor Otto Jesu Crocomo, que desde menino tinha verdadeiro fascínio por observar e entender as células, foi além. Propôs a criação do Centro de Biotecnologia Agrícola (CEBTEC), que viria a desenvolver grandes projetos público-privados com soluções definitivas para as práticas agrícolas, como, por exemplo, a produção de plantas saudáveis.

O professor tinha grandes expectativas quanto aos recursos que poderiam ser alocados para desenvolver projetos tecnológicos e científicos se utilizasse técnicas in vitro em projetos com empresas agrícolas e, por isso, sugeriu a criação do Centro. A ideia foi imediatamente aprovada pelo então diretor da Esalq, Aristeu Mendes Peixoto, e acolhida pela Fealq, responsável pela concretização do CEBTEC.

A criação desse Centro abriu amplas perspectivas de contratos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias in vitro com entidades oficiais, brasileiras e estrangeiras, e com empresas privadas. Não demorou muito e, em 1982, foi assinado um contrato com a Johnson & Johnson. A multinacional com sede em São Paulo estava interessada no comprimento das fibras de eucalipto e a proposta era utilizar culturas in vitro. Essa pesquisa envolveu também o professor Antonio Natal Gonçalves, do Departamento de Ciências Florestais, e o biólogo Enio Tiago de Oliveira, fiel parceiro do professor Crocomo.

Para realizar novas pesquisas, entretanto, havia necessidade de ampliar o espaço. Mais uma vez, a Fealq foi grande parceira e financiou toda a reforma do subsolo do prédio da Química para abrigar laboratórios do CEBTEC. Com os novos ambientes, o entusiasmo de Otto Crocomo era ainda maior e, então, lançou a ideia de um projeto de resgate de embriões híbridos que resultam do cruzamento de duas espécies de feijão, fato inédito para a época. Proposta ambiciosa. Mas não impossível. Cultivados em condições corretas, estabelecidas in vitro, os embriões resultaram em plantas adultas.

Os trabalhos se desenvolviam intensamente quando, em 1988, o CEBTEC ganhou novo prédio. Os recursos para a obra, decorrentes de projetos técnico-científicos, foram administrados pela Fealq, que deu especial atenção às pesquisas desse Centro, por meio de seus diretores Paulo Fernando Cidade de Araújo, Joaquim José de Camargo Engler e Justo Moretti Filho.

Assim, foram muitas as contribuições para o avanço da agricultura no nosso país, utilizando técnicas in vitro. Os pesquisadores do CEBTEC criaram, por exemplo, a super-laranja-pera livre do vírus da tristeza, em colaboração com o falecido professor Ary A. Salibe, da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu — Unesp, em um projeto financiado pela empresa Citrovita.

Muitas outras espécies agrícolas foram e ainda são objeto de pesquisa com empresas privadas e contam com o biólogo Oliveira, que tem participado ativamente dos projetos técnico-científicos do CEBTEC desenvolvendo protocolos de cultura de tecidos de várias espécies vegetais como cana-de-açúcar, banana, feijão, aloe vera, eucalyptus, pinus, citros, morangueiro, entre outras.

 

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