16| SISPALHA VAI ORIENTAR SISTEMAS DE USO DAS FOLHAS DA CANA

Pesquisadores definirão quanto ficará no solo e quanto na indústria

A mecanização da colheita da cana-de-açúcar gera como subproduto a palha que pode ser usada na geração de energia, produção de etanol e na fertilidade do solo, potencialmente aumentando a produtividade. Apesar de perspectivas tão positivas, a quantidade e a forma de uso são aspectos que ainda devem ser definidos, missão para o SisPalha (Sistema Integrado para Tomada de Decisão com Palha de Cana-de-Açúcar).
Iniciado em meados de 2015, o projeto reúne um pool de subprojetos e participantes coordenados pelo professor do Cena Carlos Clemente Cerri, especialista em emissões atmosféricas e gases do efeito estufa, e por seu filho Carlos Eduardo Cerri, professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq. O valor investido - R$ 5,8 milhões - é proveniente de duas fontes: Funtec/BNDES (Fundo Tecnológico/Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que responde por 90% do custo, e Raízen, empresa de bioenergia que financia 10%. O gerenciamento dos recursos é feito via Fealq.
O objetivo principal do projeto é diagnosticar a quantidade de palha que pode ser retirada do solo e aplicada em outros usos, sem causar prejuízos ao campo e à produtividade. Apesar de parecer um diagnóstico simples, as variáveis envolvidas tornam o processo um desafio, já que, por outro lado, se deixar palha demais, os organismos do solo não conseguem decompor a camada de resíduos. Além disso, há cerca de 60 variedades de cana-de-açúcar que geram entre 7 e 30 toneladas de palha por hectare, uma média de 15 toneladas.
A colheita manual com queimada não deixava material sobre o solo, porém com a mecânica, os toletes de cana vão para a caçamba e as folhas caem e se decompõem, gerando uma série de situações. Carlos Eduardo explica que quando chove a camada de palha libera substâncias orgânicas — os lixiviados — e o processo de transformação da palha libera gases, alguns do efeito estufa.
A camada de folhas serve de proteção térmica e hídrica do solo. Os nutrientes resultantes da decomposição da palha melhoram a qualidade física, biológica e química do solo. Acredita-se ainda que uma determinada camada de palha pode ativar predadores naturais, que potencialmente fariam o controle biológico de algumas pragas.
Além disso, o professor salienta que temperatura, umidade e tipo de solos também influenciam nos resultados, ou seja, são mais variáveis para associar ao modelo. A estação do ano também influencia na decomposição, o que altera a resposta à questão-base do projeto.  Outro aspecto é o contato dessa camada de folhas, ora diretamente sobre o solo ora em contato com a camada de palha remanescente do ano anterior.
Os pesquisadores esperam que o SisPalha (software a ser produzido pela Ilab Sistemas, que será comercializado para empresas do setor) seja um modelo capaz de combinar todas as variáveis e, ao final, indicar a quantidade de palha que deve ficar no solo e o quanto será possível retirar para queimar ou produzir etanol de segunda geração (2G).

 

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