15| MACAÚBA INSPIROU CADEI NACIONAL DE BIODIESEL

Parceira, Fealq ainda ajudou a aprimorar convênios

Há mais de 100 anos, a Macaúba é conhecida por seu potencial de produção de óleo, mas a espécie nunca havia sido estudada profundamente. A despretensiosa palmeira foi base do projeto "Cadeia Nacional do Biodiesel", estratégia de sustentabilidade do governo federal a partir de 2004, com o objetivo de apoiar o setor canavieiro e incluir a agricultura familiar na cadeia produtiva, gerando renda e qualidade de vida.
Desenvolvido pela Esalq, o projeto tinha parceria das universidades federais de Lavras e Viçosa (MG), Embrapa, IAC (Instituto Agronômico de Campinas), Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), iniciativa privada, associações de agricultores e MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra).
Os ministérios do Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário investiram cerca de R$ 3 milhões, entre 2011 e 2015, que resultaram na construção de uma base de estudo da macaúba, na estruturação de uma rede autônoma de pesquisa e, ainda, em relatórios técnicos e científicos, formação de técnicos, geração de renda e melhoria da extensão rural para pequenos agricultores.
João Dagoberto dos Santos, pesquisador do Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão da Esalq/USP, afirma que o grande mérito da iniciativa é ter criado uma engenharia de parceiros que até hoje funciona muito bem, além de fomentar o estudo da macaúba, entendendo como uma estratégia de uso sustentável da biodiversidade assim como na construção de modelos produtivos menos impactantes.
A referida palmeira já estava nos planos do professor Paulo Yoshio Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq, que faleceu em maio de 2016. Ousado, o projeto buscava espécies que pudessem se adaptar à lógica da agricultura familiar e, ao mesmo tempo, produzir energia e conservar a rica biodiversidade da Mata Atlântica. Os resultados comprovaram que o docente estava certo na escolha.
A espécie produz 10 vezes mais óleo por hectare do que a soja, fonte de 80% do biodiesel do país. A macaúba oferece outras vantagens: resíduo comestível pode ser usado na alimentação animal, produz óleos para biocosméticos e cosméticos. E é, ainda, sondada para a produção de bioquerosene para aviões.
O projeto era voltado para assentamentos rurais, especialmente no Pontal do Paranapanema, onde a macaúba ocupa 5 mil hectares. Trata-se de uma região historicamente degradada e esquecida, com milhares de famílias assentadas. O trabalho foi amplo e minucioso ao mesmo tempo, partindo do estudo da biologia da espécie, desenvolvendo planos de manejo, seleção genética, silvicultura e desenvolvimento de métodos e padrões industriais que garantissem a qualidade da produção, tipo e frações.
Convênios
Além de apoiar, a construção de uma cadeia produtiva que reunia públicos diferentes, a Fealq conseguiu lidar com a burocracia no uso dos recursos públicos federais, enfrentou a complexidade do sistema de transferência de recursos e ajudou no aprimoramento do Siconv (Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse), que responde por todo o ciclo de vida dos convênios, servindo hoje como um centro de referência para todo o país na gestão de recursos públicos e produção de pesquisas de vanguarda.

 

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