13| RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS MOBILIZA CLASSE CIENTÍFICA

Herbicidas e manejo integrado são alternativas

A milenar capacidade das plantas daninhas de resistir à ação de herbicidas é um dos grandes desafios enfrentados pela agricultura mundial. A questão mobiliza empresas, pesquisadores e produtores que buscam alternativas integradas para garantir a sustentabilidade da produção.
As plantas daninhas reduzem a produtividade, por isso exigem medidas urgentes de controle. A mais comum é o uso de glifosato, principal herbicida da atualidade e que há poucas décadas restringia-se ao plantio direto, por ser sistêmico e de ação não seletiva. A biotecnologia permitiu que algodão, soja e milho transgênicos fossem capazes de resistir ao herbicida, o que foi considerado uma revolução tecnológica.
A Monsanto, multinacional detentora da patente do glifosato — já vislumbrando a concorrência de outras marcas, com o fim da patente — viu no mercado de sementes transgênicas um filão lucrativo e investiu em pesquisas e desenvolvimento. A soja transgênica foi liberada em 1996 nos Estados Unidos; uma década depois, o mesmo ocorreu no Brasil, seguida do milho e algodão.
Especialista no controle de plantas daninhas, o professor do Departamento de Produção Vegetal da Esalq, Pedro Jacob Christoffoleti, disse que o produtor foi o principal beneficiado por essas tecnologias associadas. Apesar do embate entre ambientalistas, empresas e pesquisadores, ocorrido na liberação dos transgênicos, o controle das plantas daninhas é uma variável importante nos custos do produtor, porque evita perdas e reduz o investimento em diversos insumos.
Em apenas cincos anos, o glifosato teve 95% de adesão para a cultura da soja, algo inédito na história da agricultura. Milho e algodão também tiveram adesão, em proporções menores. Com isso, outros herbicidas perderam espaço e até deixaram de ser produzidos. Alçado à posição de herbicida "milagroso", o glifosato acabou por dominar o mercado, mas sua fase áurea não durou muito. Ainda em 2006 foi identificada nos Estados Unidos a primeira espécie de erva daninha resistente ao herbicida. Christoffoleti explica que todo organismo tem capacidade de se adaptar ao estresse, ou seja, criar resistência.
Espécies que eram ignoradas, como a buva e o capim amargoso, tornaram-se problema no campo. Dessa forma, produtos "esquecidos" voltaram a ser opção de controle e novas pesquisas foram necessárias. Entre os trabalhos recentes do pesquisador está um projeto em parceria com a Monsanto, feito por meio da Fealq, que busca opções para o controle das daninhas resistentes. Os resultados apontaram para o uso de alternativas de manejo de forma associada ao glifosato, que não deixou de ser um herbicida essencial para o sistema. Existem mais de 200 plantas que podem ser controladas com o produto.
A mecanização da colheita da cana-de-açúcar também gerou mudanças no sistema de produção e alterou a dinâmica populacional das plantas daninhas nos canaviais. A palha até ajudou a reduzir a quantidade de daninhas, mas também desenvolveu espécies mais agressivas, sendo algumas trepadoras, cipós etc. Outro agravante diz respeito à dificuldade do herbicida penetrar na camada de palha da cana para atuar sobre as plantas daninhas. O pesquisador desenvolve trabalhos para orientar os produtores na nova dinâmica da cana.

 

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