11| Resíduos transformam-se em insumos para agricultura

Esalq desenvolveu uso seguro de resíduos agroindustriais

magine descobrir que um resíduo industrial descartado há anos pode ser o novo produto de uma multinacional. Esse foi o resultado de uma das pesquisas do Departamento de Química da Esalq, atual Departamento de Ciências Exatas, que desenvolveu trabalhos com foco no uso de resíduos industriais na agricultura.
Um desses trabalhos iniciou-se em 1976, ano em que um funcionário de uma multinacional localizada perto de Piracicaba apareceu no laboratório do Departamento de Química com uma amostra de resíduo querendo saber sua composição. O fato se deu porque depois de um período muito chuvoso, o tanque de resíduo da empresa se rompeu, fazendo com que todo o conteúdo atingisse o Rio Piracicaba, causando mortandade de peixes por mais de 30 quilômetros de rio. A repercussão negativa, já que muitos diziam se tratar de veneno, fez a empresa buscar soluções.
A professora Maria Emília Mattiazzo, então responsável pelo laboratório, lembra-se bem quando seu superior no departamento, o professor Nadir da Glória, entregou para ela um frasco com o líquido escuro pedindo que ela descobrisse o que havia em seu conteúdo.
Ao analisar, Maria Emília se deparou com um alto teor de nitrogênio, o que chamou a atenção da empresa, que decidiu investir em uma parceria com a Esalq para estudar o uso desse resíduo como fonte de nitrogênio. As pesquisas, divididas em diversas etapas, que começaram pela caracterização do resíduo, resultaram na criação de um fertilizante organomineral, que passou a fazer parte dos produtos comercializados pela multinacional em 2004. Todos os recursos desses trabalhos foram gerenciados pela Fealq.
Esse foi o primeiro trabalho, num total de aproximadamente 30, realizado em parceria com diversas empresas com os mais diferentes tipos de resíduos agroindustriais e industriais que resultaram no desenvolvimento de fertilizantes orgânicos e organominerais de uso seguro e eficiente em áreas agrícolas. Todos via Fealq.
Outra importante contribuição foi que os trabalhos realizados forneceram subsídios para o estabelecimento da legislação do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) relativa a fertilizantes orgânicos. Também auxiliaram o órgão ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) no estabelecimento de Critérios para Uso de Resíduos em Áreas Agrícolas e Critérios de Qualidade do Solo. A professora participou ativamente da edição desses documentos, que determinam padrões seguros para a reciclagem racional desses resíduos na agricultura.
Lodo de esgoto
O problema do lodo resultante do tratamento de esgotos sanitários também foi bastante estudado, sendo que a Tera Ambiental, que trata os esgotos gerados em Jundiaí, já possui registro junto ao Mapa de um fertilizante orgânico produzido a partir do lodo de esgoto, tratado por compostagem termofílica usando podas urbanas e cavacos de madeira como agregante celulósico.
Os estudos com esse lodo iniciaram-se em 1994 e se encerraram, dentro da Esalq, em 2003. Portanto, estudos visando a viabilidade do uso de resíduos no solo agrícola como fonte de nutrientes ou como matéria-prima para produção de fertilizantes orgânicos são lentos e envolvem uma série de etapas que, devidamente realizadas, contribuem para a sustentabilidade do processo industrial sem causar prejuízos ao ambiente.

 

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