03| Estudo reúne material sobre o calcário na agricultura

Fealq editou publicação com 5 volumes nos anos 80

No começo da década de 1980 o conhecimento sobre mercados de insumos no Brasil era inferior ao que se dispunha sobre mercados de produtos agrícolas. Além disso, o calcário quase não era referenciado como insumo, possivelmente porque sua importância não era tão clara. Esses foram os principais motivos que deram início a análises sobre a aplicação do calcário na agricultura. A dedicação de diversos profissionais resultou no Estudo Nacional do Calcário Agrícola, que compila, em cinco volumes, as pesquisas na área. Com incentivo da Finep — Financiadora de Estudos e Projetos, o material foi publicado pela Fealq, que também gerenciou todos os recursos.

O estudo teve importância marcante naquela época, quando o Brasil iniciava uma revolução no agronegócio com a finalidade de aumentar, ao mesmo tempo, a área agrícola cultivada e a produtividade do setor. Isso porque tornava-se evidente a necessidade de ampliar a área até então concentrada no Sul e Sudeste e, para tanto, seria necessário utilizar solos menos férteis, demandando assim de mais capital e insumos como calcário, fertilizantes e defensivos. 

Como na ocasião o calcário era pouco conhecido como insumo, em que pese sua importância na recuperação de solos empobrecidos pelo uso e na correção da acidez de áreas novas, especialistas em geologia, engenharia de minas, nutrição de plantas, transportes e economia se juntaram para produzir um documento atualizado que refletisse o estado da arte na teoria e na prática do emprego do calcário na agricultura. 

O professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), foi um dos autores das publicações, que reuniram o conhecimento existente de vários pesquisadores de renome sobre esse importante nutriente para que fosse difundido aos agentes do governo, das instituições de ensino e pesquisa e aos produtores rurais.

Ficou demonstrado que a disponibilidade da matéria-prima não seria um obstáculo para ampla expansão do uso do calcário no Brasil. Ao mesmo tempo, disponibilizou-se aos pesquisadores e extensionistas vasto material sobre as práticas de calagem. As necessidades regionais de calagem também foram estimadas, permitindo o planejamento voltado ao crescimento da produtividade. Regiões agrícolas que necessitavam de calcário e regiões detentoras de jazidas foram mapeadas e as possibilidades e os entraves de transporte identificados de forma a abrir caminho para soluções no campo da logística setorial. 

Também foram levantados elementos necessários para a formulação de projetos industriais, sendo anotadas as várias tecnologias disponíveis e em desenvolvimento. Sob o ângulo econômico, foram estudados a estrutura da indústria, seus custos, oferta e demanda, permitindo a formulação do Plano Nacional do Calcário Agrícola.

Esse plano veio se somar a um conjunto de outros voltados para o agronegócio, viabilizando programa de expansão da fronteira agrícola com aprofundamento tecnológico – envolvendo instrumentos de crédito e suporte de preços, responsável pelo incremento no uso de insumos modernos que resultaram em magnífico aumento de 180% da produtividade agrícola nos anos seguintes, período em que o custo dos alimentos no Brasil caiu mais de 60% em termos reais. 

 

 

Veja também

01| MODERNIZAÇÃO DA TOMATICULTURA ELEVA PRODUTIVIDADE EM 40%

01| MODERNIZAÇÃO DA TOMATICULTURA ELEVA PRODUTIVIDADE EM 40%

A modernização da tomaticultura, que começou no Brasil a partir Read More
02| Força-tarefa esalqueana mudou estado da arte da borracha

02| Força-tarefa esalqueana mudou estado da arte da borracha

Departamentos da Esalq buscaram soluções para seringais Read More
03| Estudo reúne material sobre o calcário na agricultura

03| Estudo reúne material sobre o calcário na agricultura

Fealq editou publicação com 5 volumes nos anos 80 Read More
04| Tecnologias agrozootécnicas contribuem com indústrias

04| Tecnologias agrozootécnicas contribuem com indústrias

Fealq apoia e ajuda a divulgar conhecimentos técnicos Read More
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
©2018 FEALQ. Desenvolvido por Agência Multípla