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Departamentos da Esalq buscaram soluções para seringais

Apesar do primeiro ciclo da borracha remontar ao início do século XX, muitos entraves dificultavam o desenvolvimento do setor. Até a década de 1980, o país era majoritariamente dependente da importação da borracha natural para atender à indústria automobilística. A alternativa foi implantar seringais, além de potencializar a produção nativa do Amazonas.

A responsabilidade de coordenar todas as atividades referentes à seringueira no Brasil era do Ministério da Indústria e do Comércio, por meio da Superintendência da Borracha (Sudhevea). A Embrapa Seringueira, com sede em Manaus, era responsável pelas atividades de pesquisa envolvendo a referida espécie.

A árvore-da-borracha, natural da bacia do Rio Amazonas, oferecia desafios, como sementes recalcitrantes que necessitam de cuidados especiais para coleta, transporte e armazenamento. Em junho de 1980, o professor Silvio Moure Cicero foi convidado pela Sudhevea para coordenar um programa nacional de sementes de seringueira e conseguiu resolver um dos grandes entraves na implantação de seringais de cultivo, que era exatamente a obtenção de sementes de boa qualidade, necessárias para a produção de mudas.

Após seu retorno à Esalq, em julho de 1981, Cicero coordenou o projeto "Seringueira", por meio de um convênio entre Esalq, Embrapa Seringueira e Finep, administrado pela Fealq. O projeto envolveu quase todos os departamentos da Esalq, com contribuições científicas que ajudaram a desenvolver o setor e quebraram tabus, mudando o eixo produtivo, antes restrito ao Norte, para o Centro-Oeste e Sudeste, que eram áreas de escape do mal-das-folhas, doença causada pelo fungo Microcyclys ulei, que dizimava as plantações. O projeto mudou o estado da arte da cultura da seringueira que gerou estudos ainda utilizados.

Mais tarde, o professor José Dias Costa assumiu a coordenação do projeto "Seringueira" e do estudo "Diagnóstico e Perspectivas da Pesquisa Brasileira para Produção da Borracha Natural", mapeamento completo das pesquisas do setor, que seria usado na seleção de projetos pela Sudhevea. Costa ainda coordenou outras pesquisas e cursos, como difusão de técnica de sangria e explotação para extensionistas, heivicultores e mão de obra no Estado de São Paulo; além de ter iniciado, ao lado do professor Paulo Kageyama, um projeto de ilhas de alta produtividade. Até hoje esses seringais oferecem infraestrutura botânica a pesquisadores da área.

Os professores Evaristo Marzabal Neves e José Ferreira de Noronha também se valeram das facilidades da Fundação nesse projeto. Na década de 1980 a produção interna de látex atendia 35% da demanda doméstica, sendo 85% borracha amazônica. Para mudar esse cenário, o país deu início ao Programa de Incentivo à Produção de Borracha Natural, que deveria subsidiar seringais nativos e cultivados. Mas, quanto custaria um seringal? 

Incumbidos de responder à pergunta, desenvolveram planilhas de custos para a borracha nativa e cultivada. Essa pesquisa forneceu subsídios ao governo brasileiro na definição de políticas de incentivo à produção de borracha natural através de programa especial de crédito e assistência técnica, além de manter uma política de preços reais crescentes para o setor visando diminuir a elevada dependência de importações. 

 

 

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