01| MODERNIZAÇÃO DA TOMATICULTURA ELEVA PRODUTIVIDADE EM 40%

A modernização da tomaticultura, que começou no Brasil a partir da década de 1970, teve grande participação de docentes da Esalq. As pesquisas realizadas viabilizaram, por exemplo, a criação de um novo sistema de produção que possibilitou um aumento de até 40% na produtividade. Bom para os agricultores, que conseguiram aumentar o lucro, e para a sociedade, que teve acesso a um alimento de qualidade e com preço mais acessível.

A produção do tomate, especialmente para a indústria, passou por grande mudança naquela época. Isso porque o petróleo teve um aumento considerável no preço, e o Brasil, grande comprador na ocasião, não tinha outra maneira de pagar pelo produto, senão com a exportação; e os produtos industrializados a partir do tomate, como a massa de tomate, eram uma das saídas do momento. 

Para atender à recente demanda, era preciso criar novos sistemas de produção. A grande mudança ocorreu no processo de produção de mudas, que ainda era feito em copinhos de jornal. A partir das pesquisas realizadas na Esalq, conduzidas pelo professor Keigo Minami, foi introduzida a bandeja com substratos agrícolas à base de casca de pinus e vermiculita, uma novidade que mudou significativamente os resultados da tomaticultura e da produção de mudas em geral. A ideia tornou-se uma referência tão importante que o docente já foi citado, até hoje, em mais de 2.500 trabalhos científicos.

Com o copinho de jornal, as mudas eram grandes e pesavam cerca de 300 gramas cada, então os produtores conseguiam carregar, no máximo, 50 mudas por vez. Na bandeja, era possível carregar 1.000 mudas por vez, o que levou ao desenvolvimento de um projeto sobre a cultura de tomate para a indústria, que previa o investimento de recursos de outras empresas e instituições.

Ao mesmo tempo nascia a Fealq, que passou a gerenciar tais recursos, uma novidade para os pesquisadores que, até então, dependiam da burocracia inerente a uma universidade pública para poder investir a verba recebida para as pesquisas.

Com o rápido gerenciamento dos recursos, foi possível investir em vários equipamentos. O Departamento de Produção Vegetal adquiriu um sistema de irrigação e até um trator. A grandeza do novo projeto teve outros reflexos positivos para o departamento, que deu início à modernização da horta. E a partir da pesquisa também começaram a aparecer os sistemas de produção em estufa, resultado que possibilitou um grande aumento de produtividade.

Extensão

O novo sistema de produção foi levado por docentes e alunos até os produtores. Além disso, eles colocaram em prática, com apoio da Fealq e do Banespa, o projeto “São Paulo vai a campo”, que permitiu uma enorme transmissão de conhecimento entre produtores, para além da tomaticultura, suprindo boa parte da necessidade que o estado já não mais conseguia atender. 

Só para se ter uma ideia, os produtores de tomate na região de Buritizal (SP) arrecadavam cerca de R$ 500 mil por ano, o que já era considerado razoável em um município com pouco mais de 4 mil habitantes. Com as técnicas ensinadas por pesquisadores da Esalq, a renda deles passou para cerca de R$ 3 milhões anuais. E a situação reflete também na mesa do consumidor.

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